A Thales revelou uma nova versão do seu simulador Land Live Training (LLT). Esta versão mais evoluída traz uma novidade relevante: passa a ser possível integrar drones no simulador, reforçando as vertentes de treino e de monitorização. A Zona Militar falou com Bruno Delacourte, Director de Estratégia, Marketing e Política de Produto na Thales, sobre esta solução.
Delacourte sublinhou que a integração de drones é “compatível com todas as nossas [soluções] de treino” desenvolvidas pela Thales. A observação é pertinente porque a empresa produz vários simuladores de treino em ambiente real: por exemplo, o sistema Land Live Training é conhecido como Gladiator, enquanto o sistema de simulação de engajamento táctico “de última geração” se chama Cerbere.
O que muda no Land Live Training (LLT) da Thales com drones
O que a Thales apresentou é um sistema completo de treino terrestre em ambiente real que reúne “soldados, veículos e drones num ambiente real totalmente instrumentado, que suporta exercícios de qualquer escala, desde treinos de pequenas unidades até operações multinacionais”. Delacourte acrescentou que “no coração do sistema LLT” está o seu Exercise Management System (EMS), descrito como “uma plataforma poderosa que permite a comandantes e instrutores planear cenários, controlar a execução em ambiente real e realizar análises detalhadas pós-acção”.
A complementar o EMS, explicou o executivo à ZM, está a Training Area Network (TAN) do LLT, que liga soldados, veículos e drones a um Centro de Controlo de Exercícios, garantindo monitorização em tempo real.
Componentes do sistema: kit de drone e módulo para o piloto
Na nova versão do LLT, os operadores podem pilotar os seus próprios drones durante as missões de treino. A Thales esclareceu à ZM que a solução melhorada de Land Live Training é agnóstica em relação ao tipo de drone.
Segundo a empresa, o sistema inclui um kit dedicado ao drone, com hardware e software próprios, que integra sensores, indicadores e telemetria. Existe ainda um Drone Pilot Add-On Module, igualmente com hardware e software próprios, que disponibiliza aos pilotos ferramentas especializadas para missões de treino em ambiente real.
Cenários “amigos” e “inimigos” e simulação de neutralização
De acordo com um comunicado de imprensa datado de 1 de Dezembro, o novo sistema “cobre múltiplos casos de uso de drones”, incluindo “cenários de drones ‘amigos’ e ‘inimigos’”. A título de exemplo, os drones podem receber emissores para simular munições de permanência (loitering munitions) ou drones armados.
Além disso, podem ser instalados sensores e indicadores “para simular os efeitos da neutralização do drone e fornecer feedback em tempo real sobre o estado do drone durante os exercícios de treino”.
Porque é relevante para exércitos da América Latina
A ZM questionou Delacourte sobre a razão pela qual exércitos da América Latina deveriam olhar com interesse para sistemas de treino com drones como o Gladiator. Em concreto, a pergunta incidiu sobre a geografia, dado que forças militares na região treinam e actuam tanto em ambiente de selva como em operações de montanha. Delacourte respondeu: “Como a solução é emparelhada por rádio em termos geográficos e, para ataque contra drones, é baseada em laser, também é utilizável no treino de guerra na selva e na montanha”.
A Thales detalhou ainda de que forma os militares na América Latina podem tirar partido do simulador, considerando a geografia específica da região. Delacourte afirmou que “para ambientes de selva, como a Amazónia”, a integração de drones no treino em ambiente real “permite cenários realistas de reconhecimento aéreo, monitorização de rios, coordenação de patrulhas e defesa contra drones hostis - competências essenciais tendo em conta os desafios militares e de segurança interna na região”.
No que toca à guerra em montanha, a Thales referiu que “na guerra em montanha”, como nos Andes, “os drones ajudam a estender o alcance de observação, apoiam simulações de salvamento e melhoram a coordenação entre unidades de montanha e apoio aéreo”. Delacourte acrescentou que o “treino inovador adapta-se à altitude e à aerodinâmica, reflectindo realidades regionais”.
A empresa indicou igualmente que o simulador com drones pode apoiar treino orientado para guerra no deserto, como nos desertos do Peru ou no Deserto do Atacama, no Chile. “Os drones são especialmente valiosos [em ambientes desérticos] para reconhecimento e logística de longo alcance, com treino focado em ultrapassar desafios como poeiras e temperaturas elevadas.”
Outro ponto que pode interessar a forças militares na América Latina é que “o LLT escala sem esforço”, já que a sua “arquitectura suporta exercícios que envolvem milhares de participantes, todos integrados num único enquadramento de controlo”. A Thales explicou à ZM que um pelotão inteiro ou uma brigada podem utilizar o LLT com drones para treino.
Os exércitos da América Latina já recorrem a simuladores para melhorar a preparação das tropas. A empresa estatal chilena de defesa FAMAE desenvolveu simuladores virtuais de tiro para o Exército do Chile; por exemplo, são adequados para aprender a usar o fuzil Galil ACE. A CODALTEC, na Colômbia, também desenvolveu um simulador de tiro. As soluções LLT da Thales permitem não só treino de tiro, como também a gestão eficaz de exercícios de campo completos, dando aos comandantes uma consciência situacional mais elevada sobre o desempenho de tropas, veículos e drones.
A versão com drones dos simuladores Land Live Training da Thales foi apresentada na recente exposição I/ITSEC, em Orlando, na Florida. A ZM perguntou à Thales se já existem clientes ou utilizadores do novo simulador de treino em ambiente real com drones. “Muitos clientes deram-nos feedback muito positivo sobre a nossa solução agnóstica e já expressaram um elevado nível de interesse”, respondeu a empresa de defesa, sem abordar potenciais encomendas ou negociações.
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